domingo, 14 de fevereiro de 2010

VILA ISABEL

Assim meio de porre, escrevo aqui apenas um dizer. Meu coração de vez enquando vacila. Quero aqui dizer, que minha torcida é para Vila Isabel. Com um samba homenageando o grande Noel Rosa - minha torcida é pra ti. Salve Noel, Salve Vila Isabel, Salve a Boemia.

Axé.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Existe

Existe um mundo de emoção em mim,
existe um oceano que separa o meu amor do teu.

Existe um cantar, existe uma saudade que não tem fim.
Existe um samba para cantar nas madrugadas solitárias.

Existe mágoa, alegria e prazer.
Existe o amanhecer, enxugue o pranto, sorria
pois além disso tudo, vale a pena viver.

Existe a imensidão dos olhos teus,
existe teu sorriso assim,
existe o mar, para navegar-mos.

Existe sei lá como existe este amor assim,
que não se cala, que não contenta, te ver longe assim.

Existe não sei como existe, um poeta vagabundo assim.

Existe apenas existe, um cantar, para te alegrar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Buteco como sempre digo é lugar de bater papo. Sem papo o buteco acaba. Hoje me enfiei numa tremenda confusão, num bate boca daqueles. Não aceite que meta o pau nos botecos. Boteco é lugar sagrado, claro que é profano, mas também é sagrado. Poderia colocar inúmeros adjetivos para defender os butecos, mas como falei buteco é papo. Enquanto existir eles estarei seguro que a vida ainda tem graça. Ainda se pode sonhar, se pode chorar. Por inúmeras vezes, conversei com pessoas encostado nos balcões de marmóre ao redor do país. Faço questão de sempre que viajo conhecer algum buteco na cidade na qual visito, porque se quer conhecer a cidade, antes tem que conhecer seu povo que ali habita e faz daquela cidade algo maravilhoso. Foi assim com Minas Gerais ( aonde conheço alguns), foi assim no Mato Grosso, foi assim na Bahia, foi assim no Paraná, foi assim em Santa Catarina, foi assim em Mato Grosso do Sul, e aonde quer que eu vá, não mudarei. Mas voltando pra minha terra, a minha raíz, é aqui em São Paulo que falarei. Por inúmeras vezes - chegando no buteco, pude perceber algo misterioso pelejando no ar, por vezes já presenciei cenas que não presenciarei em outros lugares, já escutei dores alheias, já briguei, já pendurei conta. Pois buteco não é preciso estar na moda e nem tão menos em forma. Boteco é lugar para freqüentar com chinelos nos pés, entrar sem camiseta, de boné, de touca, seja lá do jeito que for, você sempre poderá entrar. Pois no buteco não tem frescura, pois o que ali importa é papear, é rir das desgraças da vida, é chorar no balcão querendo esquecer a paixão, é lugar de torcer pelo o time de futebol amado, é lugar de se apostar no jogo do bicho, é lugar da simplicidade. Como disse que boteco é papo, é papo. E nada melhor que encontrar um papo que vale a pena, que transmita algum tipo de sentimento. É torcer sem querer torcer. É conversar com as pessoas mais velhas, escutar tuas dores e estórias, é pedir um conselho. Este espaço que aqui criei e tantas vezes já mandei para o espaço, foi criado para isso, contar algumas estórias que não saem do meu imaginário. É colocar é dizer, é contar causos de pessoas simples, que jamais serão conhecidas. É falar da importância que um bar tem na rua aonde reside e nas vidas das pessoas. Por isso não admito que algumas pessoas tomada pelas falsas religiões vem ao meu ouvido dizer que buteco é o destruidor de lares. Por inúmeras vezes, já vi bêbado dizendo dentro de um bar o quanto ama a família, o quanto lamenta a saudade de sua terra natal, de seus familiares. Já misturei a minha estória com alguns retirantes e pude perceber e aprender o que realmente se vale na vida, aula de sociologia no boteco. Aula de turismo. Poderia ficar aqui até amanha defendendo o bar, mas acredito que não seja preciso, pois ele fala por si só.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

É verdade que me calo, quando não poderia. É verdade também que quase tudo lhe disse nas nossas conversas na madrugada. É verdade que a distância silenciou nossa paixão. É verdade que poderia ter sido melhor na tua companhia e não fui. É verdade também que você pediu-me para me cuidar mais, parar de beber, cuidar do meu pulmão, da minha alma inquieta. É verdade que foram muitas às vezes - que tive vontade de lhe falar o quanto te amava e ainda amo, mas será que depois de tanto tempo você daria ouvidos as minhas palavras? Será que acreditaria que nas minhas madrugadas você é a rainha? Que não consigo esconder mesmo que bebendo meu velho conhaque, me embriagando, meu olhar perdido, à procura de você. É verdade que poderia ter lhe enviado as milhares de cartas que escrevi, que foram parar no lixo, por falta de coragem de remete-las à você. É verdade que hoje rompo com o silêncio, pois o meu peito já não aguenta tanto, pois sei que a morte esta perto, que antes que seja tarde, lhe escrevo aqui, esperando que você ainda perca tempo lendo tudo isso, que te amo. Apenas isso! até.

PENA BRANCA

Meu lado cabloco não pode deixar de lado este ídolo da música brasileira raiz. Conheci a obra de Pena Branca através de um grande amigo meu - que tocava suas músicas na viola, enquanto eu mandava pra dentro algumas doses de "branquinha" , para aliviar o peito. Não há duvidas que sua morte deixará na música brasileira um vazio enorme, pois os tempos são outros, já não existem pessoas com a intenção de fazer grandes músicas, com um lirismo incrível e sim ganhar um mundo de dinheiro fazendo porcaria. Compartilho com tua dor meu caro amigo, ele se foi, mais ficou tua arte, tua música que nos levará a crer que o Brasil tem salvação ainda - amanha sentaremos juntos eu, você, a viola, o litro. Cantaremos músicas raízes, e deixaremos no peito a dor da saudade invadir nossa voz. Vai na fé Pena Branca.

ps: abro à primeira do dia, meus olhos marejados se perdem no horizonte enquanto a minha paz vem ouvido cio da terra.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

É domingo, dia de repouso. Lamento tua ausência, abro a primeira do dia. Acendo meu cigarro, na tua falta me vem o samba para me acompanhar.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

É verdade que este meu coração suburbano de vez enquando vacila. É verdade que na verdade eu quero que se phoda o mundo, pois a minha sede é grande e quero apenas beber. É verdade que o meu lar é o butequim, é verdade que gostaria de cantar ao pé do teu ouvido o samba do Martinho da Vila: vem logo, vem curar teu nego que chegou de porre lá da boêmia. É verdade que bebi os mares, esqueci os lares - me perdi nas esquinas, sentei no banco da praça ouvindo a solidão noturna. É verdade que não lhe esqueço talvez eu te ame, mas me falta coragem para assumir tudo isso, você sabe que foram às vezes que lh disse o quanto te amo. Quero aqui simplesmente lhe dizer: te amo, porra! não me deixe assim perdido nos caminhos que exalam teu perfume, pois o meu conhaque é pouco para tanta agonia, vem logo vem curar teu nego que chegou de porre la da boêmia.
Recordando tempos atrás, me vi naquele menino ali sentado naquela esquina, vendendo picolés. O que posso dizer é que sempre fui um batalhador, desde de sempre corri atrás um lugar ao sol. Vendia picolé quando era menino, para comprar as minhas coisas de menino - não me interessava se os meninos da rua zombavam quando me via com a caixinha de isopor pendurada no braço o que interessava era o dinheirinho que ganhava no fim do dia. Hoje aquele menino me olhou de um jeito estranho, vi nos olhos deles o meu passado. Aproximei dele, ele soltou um sorriso. Perguntei para ele o porque ele vendia picolé, ele com olhos tristes, disse que era para ajudar no sustento de sua família. Comprei alguns picolés, chamei-o para ir comigo comer um lanche. Vi o sorriso alegre dele, esperando o x-salada na padaria, tomando coca-cola. A melhor companhia que tive na semana. Meus olhos marejados vendo aquele menino ali ao meu lado - anos se passaram, a batalha que tive e terei pela frente. Ficamos ali, ele saboreando o lanche dele e eu perdido na imensidão de lembranças que brotava a todo instante. Depois nos despedimos ele ainda gritou:

- Tio você é o cara, valeu pelo lanche, nos encontramos novamente um dia.

Confesso que voltei para a minha casa emocionado, com a sacolinha do extra com dez picolés, acreditando que de certa forma mesmo achando errado ele ali vendendo sorventes enquanto poderia estar estudando, acreditando que pelo o menos ele terá o pão na mesa, ele terá o sorriso no rosto ao chegar em casa dizendo que vendeu um carrinho de sorvetes. Valeu meu caro amigo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Talvez lá no fundo de mim existe um malandro, existe um Noel Rosa, existe um Cartola, existe um triste poeta a lamentar tua ausência, a beber os mares, a esquecer os lares, a murmurar os amores perdidos, talvez antes que o porre se esvai, canto-ti nos meus versos, gritos aos mares, boto meus saveiros no mar a lembrar de você, porra!
Às vezes o que se tem para fazer é beber - esquecer os desatinos, esconder o pranto, na velha face sofrida de outrora. É o que fiz. Há tempos não entrava naquele buteco, pra ser sincero é o melhor boteco do mundo. Tive é verdade alguns problemas com ele depois de anos ali, semanalmente ou diariamente falando. Hoje não foi diferente. Queria beber num lugar calmo, aqueles que é possível bater um papo, esquecer as dores e amores mundanos. Ali é o melhor lugar. Deixei é fato de lado as amarguras, dei um pulo lá. Antes é fato de chegar na espelunca, dei de cara com alguns meninos jogando bola na rua, reclamando da bola mal passada, do gol perdido. Vizinhas batendo papo nas calçadas. alguns bebuns tomando suas cervejas sentado na calçada olhando o jogo na rua. Confesso que me emocionei, meus olhos marejados, deu glória por morar na periféria, por ter essas coisas. Mas esse assunto é pauta para outro texto. É fato que necessitava de um porre, que necessitava sentar ali, naquele canto, esquecer-te por um minuto, esquecer os lábios que ainda não beijei, que lamento a distância. Dei uma pausa nos meus sentimentos e pensamentos, por um momento não queria lembrar de ti. Mas não foi possível. Confesso que o meu coração bate acelerado quando lembro de você, lá na boêmia, você não me viu - nem tão menos imaginou, mas bebo pelas beradas a lembrar de você, a lembrar da tua fala. Sei que nessas bandas que você vive, não se lembra de mim e quem se lembra? Ninguém. Mas o meu lamento vem em forma de samba, vem em versos. Então quero que se foda o resto, quero que se dane tudo, quero aqui neste momento curtir a fossa, o samba, o porre, e a tua saudade.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sem poupar o meu coração já castigado de sofrer dores, enfrento mais uma. Quero amar demais, satisfazendo além da razão. Você me disse e jamais esquecerei, mesmo sem você me conhecer de carne e osso foi super feliz na sua declaração. Tu me disse naquela manha de domingo - que o meu destino era sofrer pelas mulheres, e assim sou. Cada mulher que passa na minha vida, meu coração sofre um bocado. Parece que a sina dele é padecer pelos encantos das mulheres, quando elas partem sem dizer um adeus, leva um pedaço dele. Nessa madrugada que se aproxima, desfaleço, sofro aqui calado pois a minha dor ninguém pode imaginar, e tão menos aliviar. Sonhei confesso que sonhei, imaginando os mais belos campos, desejei que nesse começo de ano, tudo mudasse, tudo melhorasse. Talvez por estar tão sem sentido, por não pular ondas, por não passar de branco, os deuses não cooperaram comigo neste início de ano. Talvez pelo o fato de não esta bebendo também tenha rompido a veia que alimenta este pobre coração cansado de sofrer. Busquei o retiro, busquei a imensidão, mas meu barco naufragou na espera do cais. E assim minha vida segue, sem me dizer até quando essa saudade que sinto de você, vai passar, vai diminuir. Sonharemos os sonhos de outrora aonde não foi possível realiza-los. Essas palavras errantes, que você já deve estar cansada de ler, e eu cansado de escrevê-las, possa tomar um novo rumo, um novo sentindo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Minha face fastigada de outrora, minha barba sempre por fazer, meus olhos perdidos na escuridão da vida - revela que as coisas não andam bem. Você diz para me cuidar, acredito que me cuido ao meu jeito, mas me cuido. Tua face revela o tanto que você tem sofrido ultimamente. Guarda ai dentro de ti um resquício de paixão dentro do peito. Que fere, arde, na solidão noturna. Há tempos que no meu rosto prevalece a solidão, a despedida não foi das melhores, pois acredito que você levou muita coisas de mim - não é que quero elas novamente, mas quero o meu jeito antigo de olhar o mundo, de acreditar nas pessoas, meu olhar alegre, meu olhar de menino que você roubou de mim, me deixando assim perdido na escuridão das noites, à procura de alento, à procura de paz. Sei que você segue seu caminho indiferente, mas sem você a saudade dói demais. Como disse lá em cima minha face castigada, meu olhar sempre embriagado, essa inqüietude depois da nossa despedida. Procuro-te, como procuro, nas melodias dos meus sambas, sei que você deve ler essas linhas, sei também que no silêncio da madrugada você não me esquece - quando teus lábios silenciosos rompem a solidão a cantarolar os sambas que lhe cantei algum dia. Posso estar enganado, mas acredito que não. Sofro com tudo isso, você talvez não possa imaginar, ou até mesmo pense, que tudo isso é um devaneio. Que tudo aquilo que fui para você foi apenas um excesso de luz - que hoje deu lugar a escuridão noturna. Talvez nunca fugirei de você, pois não tenho medo de lhe dizer o que aqui dentro ainda pulsa, talvez me falte apenas o momento de você querer me ouvir, uma única oportunidade lhe peço. Talvez você ache melhor deixar as coisas como estão, talvez você não me perdoe nunca por aquele erro cometido naquela manha ingrata. Talvez nunca seja tarde, para acabarmos definitivamente com tudo isso, romper esse silêncio, deixar-me entrar na tua vida novamente, deixar-me colocar lá dentro de você um prato de flores.
É verdade que ela não é carioca, tão menos moradora de Ipanema, mas a garota quando ela passa meu mundo se enche de graça. Todo dia ela passa, com seus cabelos ao vento, cheirando a shampoo, cheirando a creme. O teu rebolado, tua blusinha colada, sua sintura fina, a encher de graça por onde ela passe. Meu olhar acompanha até aonde ele pode chegar, acredito que ela não saiba quem eu sou, e tão menos, que espero ela passar todos os dias. Deve saber que tem muitos admiradores, que admira tua graça, teu rebolado, teu gingado. Mas a verdade que ela é minha alegria na manha, que é por ela, que ainda vivo, por ela amo as mulheres no seu mais completo sentido. Talvez quando ela passar amanha, lhe direi: morena não me deixe de queixo caído todas às vezes que você passe.

DIA DOIS DE FEVEREIRO, DIA DE IEMANJÁ


O espaço aqui é pequeno, mas cabe o mar, cabe ela. Salve Iemanjá - rainha do mar. Estou longe da Bahia, terra que amo. Estou longe do Rio Vermelho, mas mesmo longe, receba minhas flores, minha querida Janaina.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Acendo um cigarro enquanto caminho pelas ruas, um passeio noturno, sem a badalação do dia. Pensando um pouco na vida, na saudade que você me remete ao longe. O meu riscado de outrora já não é o mesmo. O meu silêncio se rompe quando escuto um verso de samba - cantarolo, vou caminhando. A escuridão me persegue pelas esquinas, que tanto me conhece, o vazio é o mesmo. A vida noturna, os porres, a saudade, pensamentos que não me deixam. Tudo se confunde a medida que a distância aumenta. O tempo o velho tempo, não é capaz de apagar você da minha lembrança, nem da minha melodia. A batida na porta da frente, o silêncio do teu ser, tua distância errante, nós que sempre fomos unidos outrora. Minha voz rouca quebrando o tédio de tua vida, o meu despertar querendo lhe ver, teus passos ao meu lado, tua alma ali próxima a mim. Vontade de lhe agarrar, lhe arrancar tua roupa ali no meio da rua, no meio da multidão ao meio dia. De querer lhe dizer as coisas mais bonitas que já mais disse para alguém. Mas a distância me impede, a distância física de você. Imagino por onde andarás, que rumo tomou, depois daquela noite e de minha fala para ser esquecida. A solidão que me acompanhou na bagagem, o silêncio da tua alma. Os passos se perdem, querendo o silêncio, caminho reparando nas estrelas, digo para mim que não me embriagarei pelo o menos hoje. Sorrio, digo que só dói quando rio, que já estive melhor comigo e com você. No meu bolso uma carta uma estúpida carta, que não lhe enviei por medo ou vergonha. O silêncio se rompe, aproximo do butequim, meu velho e querido butequim, aonde a saudade dói mas é menos dolorida. Peço a primeira do dia, rompo com o meu pensar, digo que não dá para ficar sem beber, enquanto a saudade de você apertar o meu peito. Tudo parece mudado, à lamentar, me vejo na face de um velho bebum, que insiste em me oferecer uma cachaça - rindo, parece zombar de mim, parece querer dizer algo no meio de sua loucura diária. Me afasto não quero papo, apenas quero o silêncio da minha alma, minha velha solidão como companheira, a me acompanhar nas noites noturnas. Meu olhar começa a se perder naquilo tudo, a bebida rompe o peito, meus olhos marejados remetem ao passado tudo aquilo que um dia sonhei, tudo aquilo que lhe quis. Volto para bebida, volto o meu olhar no presente, dou risada, digo a mim mesmo o quanto tolo sou, por acreditar em certas tolices, meu coração de menino de vez enquando vacila. Se perde, mas encontra o rumo, o rumo da despedida, o rumo da vida, mesmo errando as ruas, encontra as esquinas, a lamentar ausência de você menina.
As toalhas na mesa, as velas prontas para serem acessas. O desamor no peito, a escuridão que rompe meu ser, que esconde os abismos mundanos das paixões de outrora. O jantar esta na mesa, é o que escuto a relembrar de outrora, mas o amor o nosso amor passou. Passou feito raio, passou feito o tempo batendo na tua janela de madrugada a gritar meu nome, você fingindo não perceber. Pela última vez, eu imploro talvez, pela última vez separei nossa bebida, a roupa florida, tua toalha. Minha imaginação se perde pelos labirintos, meu olhar triste se perde nas pegadas que já não existem, quando você saia do banho enrolada na velha toalha florida. Tudo confuso, tudo embolado, o presente com o passado, a julgar que você não passou de um devaneio, uma paixão de verão. Lhe acompanhei até aonde foi possível, fiz o que pude, mas lhe perdi. O que me resta é essa escrita em forma de lamento embaralhada nos confins de minha imaginação. É esse lamentar, é esse não querer longe de você.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Há tempos que não passeio pelo o meu bairro. Que não entro em lugares de outrora, padaria, boteco, vídeo locadora, hoje no meio da correria dei-me uma pausa de mil compassos para visitar os comércios e as ruas. Sempre digo que este bairro me viu nascer e espero também que me veja morrer. Comecei meio tarde já, passando na locadora, que há tempos não entrava, pois meu lado cinéfilo estava abandonado. Fiquei alguns minutos na escolha do filme, nada especial, um filme apenas para passar o fim de tarde começo da noite. Depois caminhei até a padaria, uma média de café e dois pães com manteiga na chapa. Papei um bocado com os garçons, que me perguntavam sobre minha ausência. Dei um alguns palpites no jogo de futebol a tarde. Depois caminhei pelas ruas que me viram nascer - passei na casa de alguns amigos que há tempos não via. Parei em frente a quadra e vi a mulecada jogando bola, fui jogado ao passado, quando eu jogava bola ali, descalço, valendo uma caixa de tubaína. Percebi observando a molecado, que o tempo passou, que já estou na casa dos 30, sem que percebesse. A manha passava rapidamente, sem que eu percebesse, um sorriso enorme na minha face saudosista se perdia nas ruas, nas pessoas. Percebo que tudo passou, mas algumas coisas o tempo não muda. O buteco na esquina com os senhores batendo papo, discutindo, jogando dominó. Entro devagarinho, pois o reduto ali não é para jovens, peço a primeira do dia. A cerveja refresca, deixa o meus olhos marejados com aquela manha traqüila. Converso mais um pouco com alguns senhores amigos de meu pai - alguns se assustam pois recordam de mim menino ali bebendo refrigerante. Hora do almoço chega, volto para casa, com a sensação de dever comprido, abro mais uma cerveja, enquanto o almoço é preparado pela dama da casa. Percebo que não é preciso muito para ser feliz, apenas observar ao redor, observar as coisas simples do cotidiano.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Perdido pelo caminhos das linhas tortas, se acabando em cada buteco que passa, em busca e na ânsia de curar teus desatinos, em busca da paz, em busca do amor, do sentindo maior para tua vida errante. Assim o defino. Por vezes já lhe encontrei pelos bares, sempre educado, atencioso, bom de papo, assim o malandro é. Por vezes já vi pessoas confundindo ele com morador de rua, por causa de sua roupa simples e sua fisionomia castigada. Por vezes já papei com ele, e posso falar que o sujeito é o cara mas bacana que já conversei dentro de um buteco. É sabedor da vida, se dizia malandro de outrora, mulherengo confesso, por elas tudo vale, ele dizia. De tantas conversas que tive com o malandro - nunca lhe fiz essa pergunta, por que ele se estraga tanto. Perto dele eu me calo, nada quase falo. Alguns dizem que é por causa do abandono da mulher que ele tanto amava, outros dizem que é por causa da família, a verdade eu nunca saberei e nem quero. Pois a pessoa dele é que valia a pena, sempre digo que buteco que se preze tem que ter um bom papo, são excessos às vezes. Me falta adjetivos para qualificar o camarada, mas sua perca ainda faz falta em minha vida. Ontem estive no buteco, não estou bebendo é fato, fui apenas para papear, colocar pra fora os desatinos na roda de amigos, e fiquei sabendo da morte dele. Me disseram que ele morreu dormindo, morreu sem dor. Achei até engraçado alguns dizerem que ele morreu sem dor, pois dor era o que não faltava dentro daquele ser - dores era o que o malandro mais carregava dentro dele. Não irei no enterro, mesmo a minha saudade imensa dele, e este vazio deixado por ele dentro dos papos que não teremos mais dentro de algum buteco. Ergo meu copo americano cheio de cerveja em tua homenagem, malandro. Pois em algum lugar iremos nos encontrar para colocar os papos em dia, e zombar da vida. Vai ná fé meu caro amigo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Poderia ficar aqui colocando adjetivos para tentar definir o poeta, mas não farei, pois não é preciso. Ele por ele já define, o maior compositor vivo na minha modesta opinião. Poeta que mudou o rumo da minha vida. Nesta noite tão singular, o que me restou é o consolo de abrir a primeira cerveja do dia, em tua homenagem, para tudo aquilo que fez e fará para a música brasileira, teu nome Paulo César Pinheiro.

Pesadelo

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha aí.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DOS AMORES


Você pede-me uns textos diz que sente falta deles, eu respondo que outras meninas levaram de mim. Busco a inspiração num gole e num trago me perco. Os versos não vem, o coração cansado de tanta saudade bate no descompasso de um samba-canção. Samba que me trás um alento, na madrugada vazia e silenciosa - paro debaixo de um poste iluminado, procuro na carteira o teu retrato, olho, enxergo, uma nostalgia invade o meu peito, a bebida faz o meu olhar se perder na escuridão do passado. Vejo naquele retrato 3x4 o seu olhar, o seu sorriso, sinto que faz tempo que não escuto a tua voz, que sinto seu perfume. Saudade ofusca o meu olhar, parece que tudo que eu vejo você esta presente. Nas linhas que leio, na canção que escuto, na cachaça do dia-a-dia você esta presente. O meu coração vulgar não permite me aproximar de você. Lembro de quando me disse para te esquecer, confesso que tudo que eu quero na vida é esquecer o que a vida insiste em lembrar. Não quero de jeito algum contrariar você, permaneço aqui no mesmo lugar, no mesmo local, não mudei nada, a barba continua grande, as sandálias continua nos meus pés, as dores no mesmo lugar. Procuro uma brecha para te esquecer, querendo lembrar que nos meus abraços outros abraços insistem em apagar os meus. Os beijos que hoje toca os seus lábios não são os meus, os dedos que tocam sua pele não são os meus. A distância aumenta, pergunto para nossos amigos incomuns por onde você anda, eles me dizem que você noivou, que em breve pretende se casar, que anda com os papos de mudar de cidade. Notícia que me trás um pouco de alegria queria de fato não te ver mais, queria guardar você assim, como foi ao meu lado, uma menina. Menina do olhar brilhante, menina que ficava ali sentada ao meu lado, lendo os meus versos, apagando frases, me dando rimas para a vida. Hoje quero te dizer uma coisa, foi bom, confesso que foi. Mais jamais encontrará outro que te amará do jeito que eu te amei, e nas entrelinhas da vida sentirá que aquele que deixou faz falta, e eu talvez aqui não estarei mais, com a disposição de lhe amar, do jeito que desejei no passado. Fico aqui com o meu silêncio sentado na madrugada em busca de alguma coisa que me traga alegria para continuar e força para não desanimar.
Há tempos que você me leva, me pega pelas mãos, me leva, ao caminho da luz, ao caminho da esperança. Tua melodia, tua harmonia, tua simplicidade, me leva. Caminhos tortuosos já não existem mais, pego-me a navegar nos oceanos dos olhos teus, oceanos nada pacíficos. A tristeza dá lugar alegria, pois quando ao teu lado estou é mais fácil ser feliz. Minha embriaguez costureira, porres de outrora já não são precisos, pois a tristeza já não existe. Bebo, claro que bebo, mas bebo apenas para ter argumento, e lhe fazer aquela poesia, que você tanto gosta. Então minha querida, vamos se embora pois a madrugada nos espera. Digamos axé um para o outro, e até quando for concedido vamos viver, vamos viver, pois a vida é curta, é a saúde é pouca. Vamos até o tamborim silenciar na quarta-feira. Vamos minha nega, vamos não demora, pois a vida é curta e não posso esperar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Escrevi aqui ou melhor dizendo no blogue apagado, o meu recente amor pela rádio AM. Que não passo uma noite sem dormir, escutando a mesma rádio Nacional do Rio de Janeiro. Descobri programas de música fantásticos, assim defino. Músicas que não tocam em outras rádios. Ganhei recentemente um apelido querido e saudoso Herivelton Martins. Confesso que não sou um terço do malandro, e por falar no caboclo, que músico, que músico. Ontem lá pelas tantas da madrugada quando cheguei num porre tremendo, fui para beber apenas para ter argumento, mas bebi o rio Pinheiros. Minha cabeça rodava - meu quarto parecia, qualquer coisa, menos o meu quarto. Meu cachorro latiu quando me viu chegar, não sei qual era intenção dele, mas latiu. Mas voltando ao assunto da sobre a música, é que tenho uma mania que não é das melhores, que é beber nos butecos e chegar em casa ouvir músicas que gosto. Não sei se é pela qualidade das músicas que lá tocam, ou se procuro nelas minhas favoritas o consolo depois do porre. Mas ontem, quando liguei o rádio estava tocando Herivelton, uma puta saudade se fez presente. Saudade de você minha querida menina, que não sabe o tanto que penso em você, não sabe que nos meus porres você existe mesmo que na lembrança tardia e sofrida de outrora, vestida no seu vestido florido que tanto gosto, você existe. Pensei em te ligar, mas contive esse pensamento, por alguns minutos chorei, chorei com não havia chorado antes, e sem a vergonha de aqui dizer, chorei. A música entrava pelos meus ouvidos, silenciava, apenas as batidas do meu coração quase que se acabando, minha cabeça rodando, o quarto escuro. A cama o mesmo vazio, olhei para o lado não senti teu cheiro, tua carne, teus braços a me enlaçar. Apaguei o meu cigarro, meu velho e companheiro cigarro, a única luz presente, foi apagada. O amanhecer se aproximava, meu estado lamentável anunciava o prenuncio de uma manha vazia e oca. O sono perdi, fiquei olhando no meio da escuridão pra ver se te encontrava, ou pra ver, aonde me encontrava. Por vezes anunciei que não beberia mais, que deixaria de lado o meu lado boêmio, mas é vão. Não sei viver sem ter a ilusão mesmo que breve seja, que a solidão velha e companheira, desde o momento que partiste, que um dia tu voltaria, para quem sabe me curar de mais uma noite de boêmia.

domingo, 24 de janeiro de 2010

SEU CHICO, O BAR DO PASSADO.

É verdade que os tempos são outros, mas na lembrança a saudade permanece. E assim meio saudosista, quero aqui contar pra vocês meus caros e poucos leitores, um fato do cotidiano. É verdade como disse, que por um erro ao qual não pedirei desculpas, eu não ponho meus pés no buteco do baixo. Não cabe explicações aqui, mas por enquanto não ponho os pés por lá. Tive o prazer de com isso, conhecer os milhares de bares do meu bairro, um deles que quero contar é do seu Chico. Seu Chico, é um cabra matuto, daqueles que saiu do sertão atrás da chance na grande cidade. Saiu do seu sertão, nos anos setenta, trabalhou em grandes firmas, antes delas partirem para fora do estado de São Paulo. Chico conta que naquele tempo, era oportunidades de trabalho uma em cada esquina, largava de um e entrava n'outro. O último que durou cerca de 15 anos, que saiu porque a firma mudou para região de Campinas, não quis sair de Sampa. Devido a sua idade não quis mais trabalhar para patrão, resolveu abrir um buteco. O buteco que já tem mais de 10 anos de vida, que seu Chico se orgulha deste feito, de segunda a segunda, atrás daquele balcão seu Chico ainda conserva um tremendo sorriso no rosto. Conversando com seu Chico, dizendo para ele que sempre tive a curiosidade de entrar no bar dele, mas nunca fui capaz, ele soltou uma tremenda risada. Disse que aquilo ali era coisa de velho na beira da morte, não coisa de jovem. Disse para o malandro que ele estava tremendamente enganado, que eu gostava de bares assim cheio de coroas. Mas que não entrava, pois sabia que o meu pai, na época que morava em casa - freqüentava ali. Ele então curioso, perguntou o nome do meu véio, disse: Medina. Num silêncio que durou poucos segundos, procurou na memória, e soltou um sorriso típico dele:

- Porra, você é filho do velho Medina?

Espantado com o sorriso do camarada, fui logo explicando aonde ele morava e tal. O velho rindo ainda disse:

- O Medina é único, meu camarada.

Disse-me que o pai junto com o alemão, qual eu não conheço não saia de lá. Ele chegava do serviço, passava por lá, bebia uns tragos, contava umas estórias e depois partia rumo a família. Ainda comovido com tudo aquilo, pois sinceramente não acreditava que o seu Chico lembraria do meu velho. Pois o meu velho nunca me disse nada sobre aquele buteco, sobre o velho Chico. Mas voltando ao assunto principal, sempre tive um receio de ali entrar, mesmo a curiosidade imensa de sentar debaixo daquela árvore e passar uma tarde na presença de meus amigos. Pois é meus caros leitores, posso aqui dizer, que de lá não sairei, porque o velho é torcedor do Corinthians troço que me emociona bastante, também por conservar um puta sorriso no rosto tão fatigado de outrora, que não esconde o sofrimento e a batalha atrás do balcão. Depois contarei aqui o resto da história sobre o bar do Chico.

Voltei, voltei

É verdade, não gostaria, mas fiz. Coloquei um ponto final no meu blogue anterior, devido a ressaca que tomou posse de mim. Mas voltando atrás pois nem sempre a vida permite, abri novamente. Esse blogue é feito aquela falsa promessa de que não beberei jamais, mas no outro dia esta lá copos em mãos, cigarro no cinzeiro, e a promessa feito juras esquecidas. Assim perdido entre o torresmo e a moela, dou o pontapé novamente neste humilde e errante espaço. Bola pra frente, vamos ver no que dá, peço desculpas aos meus poucos leitores pelo o erro de outrora, mas voltei.