sábado, 30 de janeiro de 2010

Perdido pelo caminhos das linhas tortas, se acabando em cada buteco que passa, em busca e na ânsia de curar teus desatinos, em busca da paz, em busca do amor, do sentindo maior para tua vida errante. Assim o defino. Por vezes já lhe encontrei pelos bares, sempre educado, atencioso, bom de papo, assim o malandro é. Por vezes já vi pessoas confundindo ele com morador de rua, por causa de sua roupa simples e sua fisionomia castigada. Por vezes já papei com ele, e posso falar que o sujeito é o cara mas bacana que já conversei dentro de um buteco. É sabedor da vida, se dizia malandro de outrora, mulherengo confesso, por elas tudo vale, ele dizia. De tantas conversas que tive com o malandro - nunca lhe fiz essa pergunta, por que ele se estraga tanto. Perto dele eu me calo, nada quase falo. Alguns dizem que é por causa do abandono da mulher que ele tanto amava, outros dizem que é por causa da família, a verdade eu nunca saberei e nem quero. Pois a pessoa dele é que valia a pena, sempre digo que buteco que se preze tem que ter um bom papo, são excessos às vezes. Me falta adjetivos para qualificar o camarada, mas sua perca ainda faz falta em minha vida. Ontem estive no buteco, não estou bebendo é fato, fui apenas para papear, colocar pra fora os desatinos na roda de amigos, e fiquei sabendo da morte dele. Me disseram que ele morreu dormindo, morreu sem dor. Achei até engraçado alguns dizerem que ele morreu sem dor, pois dor era o que não faltava dentro daquele ser - dores era o que o malandro mais carregava dentro dele. Não irei no enterro, mesmo a minha saudade imensa dele, e este vazio deixado por ele dentro dos papos que não teremos mais dentro de algum buteco. Ergo meu copo americano cheio de cerveja em tua homenagem, malandro. Pois em algum lugar iremos nos encontrar para colocar os papos em dia, e zombar da vida. Vai ná fé meu caro amigo.

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