Há tempos que não passeio pelo o meu bairro. Que não entro em lugares de outrora, padaria, boteco, vídeo locadora, hoje no meio da correria dei-me uma pausa de mil compassos para visitar os comércios e as ruas. Sempre digo que este bairro me viu nascer e espero também que me veja morrer. Comecei meio tarde já, passando na locadora, que há tempos não entrava, pois meu lado cinéfilo estava abandonado. Fiquei alguns minutos na escolha do filme, nada especial, um filme apenas para passar o fim de tarde começo da noite. Depois caminhei até a padaria, uma média de café e dois pães com manteiga na chapa. Papei um bocado com os garçons, que me perguntavam sobre minha ausência. Dei um alguns palpites no jogo de futebol a tarde. Depois caminhei pelas ruas que me viram nascer - passei na casa de alguns amigos que há tempos não via. Parei em frente a quadra e vi a mulecada jogando bola, fui jogado ao passado, quando eu jogava bola ali, descalço, valendo uma caixa de tubaína. Percebi observando a molecado, que o tempo passou, que já estou na casa dos 30, sem que percebesse. A manha passava rapidamente, sem que eu percebesse, um sorriso enorme na minha face saudosista se perdia nas ruas, nas pessoas. Percebo que tudo passou, mas algumas coisas o tempo não muda. O buteco na esquina com os senhores batendo papo, discutindo, jogando dominó. Entro devagarinho, pois o reduto ali não é para jovens, peço a primeira do dia. A cerveja refresca, deixa o meus olhos marejados com aquela manha traqüila. Converso mais um pouco com alguns senhores amigos de meu pai - alguns se assustam pois recordam de mim menino ali bebendo refrigerante. Hora do almoço chega, volto para casa, com a sensação de dever comprido, abro mais uma cerveja, enquanto o almoço é preparado pela dama da casa. Percebo que não é preciso muito para ser feliz, apenas observar ao redor, observar as coisas simples do cotidiano.
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