segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Escrevi aqui ou melhor dizendo no blogue apagado, o meu recente amor pela rádio AM. Que não passo uma noite sem dormir, escutando a mesma rádio Nacional do Rio de Janeiro. Descobri programas de música fantásticos, assim defino. Músicas que não tocam em outras rádios. Ganhei recentemente um apelido querido e saudoso Herivelton Martins. Confesso que não sou um terço do malandro, e por falar no caboclo, que músico, que músico. Ontem lá pelas tantas da madrugada quando cheguei num porre tremendo, fui para beber apenas para ter argumento, mas bebi o rio Pinheiros. Minha cabeça rodava - meu quarto parecia, qualquer coisa, menos o meu quarto. Meu cachorro latiu quando me viu chegar, não sei qual era intenção dele, mas latiu. Mas voltando ao assunto da sobre a música, é que tenho uma mania que não é das melhores, que é beber nos butecos e chegar em casa ouvir músicas que gosto. Não sei se é pela qualidade das músicas que lá tocam, ou se procuro nelas minhas favoritas o consolo depois do porre. Mas ontem, quando liguei o rádio estava tocando Herivelton, uma puta saudade se fez presente. Saudade de você minha querida menina, que não sabe o tanto que penso em você, não sabe que nos meus porres você existe mesmo que na lembrança tardia e sofrida de outrora, vestida no seu vestido florido que tanto gosto, você existe. Pensei em te ligar, mas contive esse pensamento, por alguns minutos chorei, chorei com não havia chorado antes, e sem a vergonha de aqui dizer, chorei. A música entrava pelos meus ouvidos, silenciava, apenas as batidas do meu coração quase que se acabando, minha cabeça rodando, o quarto escuro. A cama o mesmo vazio, olhei para o lado não senti teu cheiro, tua carne, teus braços a me enlaçar. Apaguei o meu cigarro, meu velho e companheiro cigarro, a única luz presente, foi apagada. O amanhecer se aproximava, meu estado lamentável anunciava o prenuncio de uma manha vazia e oca. O sono perdi, fiquei olhando no meio da escuridão pra ver se te encontrava, ou pra ver, aonde me encontrava. Por vezes anunciei que não beberia mais, que deixaria de lado o meu lado boêmio, mas é vão. Não sei viver sem ter a ilusão mesmo que breve seja, que a solidão velha e companheira, desde o momento que partiste, que um dia tu voltaria, para quem sabe me curar de mais uma noite de boêmia.

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