terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Minha face fastigada de outrora, minha barba sempre por fazer, meus olhos perdidos na escuridão da vida - revela que as coisas não andam bem. Você diz para me cuidar, acredito que me cuido ao meu jeito, mas me cuido. Tua face revela o tanto que você tem sofrido ultimamente. Guarda ai dentro de ti um resquício de paixão dentro do peito. Que fere, arde, na solidão noturna. Há tempos que no meu rosto prevalece a solidão, a despedida não foi das melhores, pois acredito que você levou muita coisas de mim - não é que quero elas novamente, mas quero o meu jeito antigo de olhar o mundo, de acreditar nas pessoas, meu olhar alegre, meu olhar de menino que você roubou de mim, me deixando assim perdido na escuridão das noites, à procura de alento, à procura de paz. Sei que você segue seu caminho indiferente, mas sem você a saudade dói demais. Como disse lá em cima minha face castigada, meu olhar sempre embriagado, essa inqüietude depois da nossa despedida. Procuro-te, como procuro, nas melodias dos meus sambas, sei que você deve ler essas linhas, sei também que no silêncio da madrugada você não me esquece - quando teus lábios silenciosos rompem a solidão a cantarolar os sambas que lhe cantei algum dia. Posso estar enganado, mas acredito que não. Sofro com tudo isso, você talvez não possa imaginar, ou até mesmo pense, que tudo isso é um devaneio. Que tudo aquilo que fui para você foi apenas um excesso de luz - que hoje deu lugar a escuridão noturna. Talvez nunca fugirei de você, pois não tenho medo de lhe dizer o que aqui dentro ainda pulsa, talvez me falte apenas o momento de você querer me ouvir, uma única oportunidade lhe peço. Talvez você ache melhor deixar as coisas como estão, talvez você não me perdoe nunca por aquele erro cometido naquela manha ingrata. Talvez nunca seja tarde, para acabarmos definitivamente com tudo isso, romper esse silêncio, deixar-me entrar na tua vida novamente, deixar-me colocar lá dentro de você um prato de flores.

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