Buteco como sempre digo é lugar de bater papo. Sem papo o buteco acaba. Hoje me enfiei numa tremenda confusão, num bate boca daqueles. Não aceite que meta o pau nos botecos. Boteco é lugar sagrado, claro que é profano, mas também é sagrado. Poderia colocar inúmeros adjetivos para defender os butecos, mas como falei buteco é papo. Enquanto existir eles estarei seguro que a vida ainda tem graça. Ainda se pode sonhar, se pode chorar. Por inúmeras vezes, conversei com pessoas encostado nos balcões de marmóre ao redor do país. Faço questão de sempre que viajo conhecer algum buteco na cidade na qual visito, porque se quer conhecer a cidade, antes tem que conhecer seu povo que ali habita e faz daquela cidade algo maravilhoso. Foi assim com Minas Gerais ( aonde conheço alguns), foi assim no Mato Grosso, foi assim na Bahia, foi assim no Paraná, foi assim em Santa Catarina, foi assim em Mato Grosso do Sul, e aonde quer que eu vá, não mudarei. Mas voltando pra minha terra, a minha raíz, é aqui em São Paulo que falarei. Por inúmeras vezes - chegando no buteco, pude perceber algo misterioso pelejando no ar, por vezes já presenciei cenas que não presenciarei em outros lugares, já escutei dores alheias, já briguei, já pendurei conta. Pois buteco não é preciso estar na moda e nem tão menos em forma. Boteco é lugar para freqüentar com chinelos nos pés, entrar sem camiseta, de boné, de touca, seja lá do jeito que for, você sempre poderá entrar. Pois no buteco não tem frescura, pois o que ali importa é papear, é rir das desgraças da vida, é chorar no balcão querendo esquecer a paixão, é lugar de torcer pelo o time de futebol amado, é lugar de se apostar no jogo do bicho, é lugar da simplicidade. Como disse que boteco é papo, é papo. E nada melhor que encontrar um papo que vale a pena, que transmita algum tipo de sentimento. É torcer sem querer torcer. É conversar com as pessoas mais velhas, escutar tuas dores e estórias, é pedir um conselho. Este espaço que aqui criei e tantas vezes já mandei para o espaço, foi criado para isso, contar algumas estórias que não saem do meu imaginário. É colocar é dizer, é contar causos de pessoas simples, que jamais serão conhecidas. É falar da importância que um bar tem na rua aonde reside e nas vidas das pessoas. Por isso não admito que algumas pessoas tomada pelas falsas religiões vem ao meu ouvido dizer que buteco é o destruidor de lares. Por inúmeras vezes, já vi bêbado dizendo dentro de um bar o quanto ama a família, o quanto lamenta a saudade de sua terra natal, de seus familiares. Já misturei a minha estória com alguns retirantes e pude perceber e aprender o que realmente se vale na vida, aula de sociologia no boteco. Aula de turismo. Poderia ficar aqui até amanha defendendo o bar, mas acredito que não seja preciso, pois ele fala por si só.