Há tempos que não passeio pelo o meu bairro. Que não entro em lugares de outrora, padaria, boteco, vídeo locadora, hoje no meio da correria dei-me uma pausa de mil compassos para visitar os comércios e as ruas. Sempre digo que este bairro me viu nascer e espero também que me veja morrer. Comecei meio tarde já, passando na locadora, que há tempos não entrava, pois meu lado cinéfilo estava abandonado. Fiquei alguns minutos na escolha do filme, nada especial, um filme apenas para passar o fim de tarde começo da noite. Depois caminhei até a padaria, uma média de café e dois pães com manteiga na chapa. Papei um bocado com os garçons, que me perguntavam sobre minha ausência. Dei um alguns palpites no jogo de futebol a tarde. Depois caminhei pelas ruas que me viram nascer - passei na casa de alguns amigos que há tempos não via. Parei em frente a quadra e vi a mulecada jogando bola, fui jogado ao passado, quando eu jogava bola ali, descalço, valendo uma caixa de tubaína. Percebi observando a molecado, que o tempo passou, que já estou na casa dos 30, sem que percebesse. A manha passava rapidamente, sem que eu percebesse, um sorriso enorme na minha face saudosista se perdia nas ruas, nas pessoas. Percebo que tudo passou, mas algumas coisas o tempo não muda. O buteco na esquina com os senhores batendo papo, discutindo, jogando dominó. Entro devagarinho, pois o reduto ali não é para jovens, peço a primeira do dia. A cerveja refresca, deixa o meus olhos marejados com aquela manha traqüila. Converso mais um pouco com alguns senhores amigos de meu pai - alguns se assustam pois recordam de mim menino ali bebendo refrigerante. Hora do almoço chega, volto para casa, com a sensação de dever comprido, abro mais uma cerveja, enquanto o almoço é preparado pela dama da casa. Percebo que não é preciso muito para ser feliz, apenas observar ao redor, observar as coisas simples do cotidiano.
domingo, 31 de janeiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Perdido pelo caminhos das linhas tortas, se acabando em cada buteco que passa, em busca e na ânsia de curar teus desatinos, em busca da paz, em busca do amor, do sentindo maior para tua vida errante. Assim o defino. Por vezes já lhe encontrei pelos bares, sempre educado, atencioso, bom de papo, assim o malandro é. Por vezes já vi pessoas confundindo ele com morador de rua, por causa de sua roupa simples e sua fisionomia castigada. Por vezes já papei com ele, e posso falar que o sujeito é o cara mas bacana que já conversei dentro de um buteco. É sabedor da vida, se dizia malandro de outrora, mulherengo confesso, por elas tudo vale, ele dizia. De tantas conversas que tive com o malandro - nunca lhe fiz essa pergunta, por que ele se estraga tanto. Perto dele eu me calo, nada quase falo. Alguns dizem que é por causa do abandono da mulher que ele tanto amava, outros dizem que é por causa da família, a verdade eu nunca saberei e nem quero. Pois a pessoa dele é que valia a pena, sempre digo que buteco que se preze tem que ter um bom papo, são excessos às vezes. Me falta adjetivos para qualificar o camarada, mas sua perca ainda faz falta em minha vida. Ontem estive no buteco, não estou bebendo é fato, fui apenas para papear, colocar pra fora os desatinos na roda de amigos, e fiquei sabendo da morte dele. Me disseram que ele morreu dormindo, morreu sem dor. Achei até engraçado alguns dizerem que ele morreu sem dor, pois dor era o que não faltava dentro daquele ser - dores era o que o malandro mais carregava dentro dele. Não irei no enterro, mesmo a minha saudade imensa dele, e este vazio deixado por ele dentro dos papos que não teremos mais dentro de algum buteco. Ergo meu copo americano cheio de cerveja em tua homenagem, malandro. Pois em algum lugar iremos nos encontrar para colocar os papos em dia, e zombar da vida. Vai ná fé meu caro amigo.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Poderia ficar aqui colocando adjetivos para tentar definir o poeta, mas não farei, pois não é preciso. Ele por ele já define, o maior compositor vivo na minha modesta opinião. Poeta que mudou o rumo da minha vida. Nesta noite tão singular, o que me restou é o consolo de abrir a primeira cerveja do dia, em tua homenagem, para tudo aquilo que fez e fará para a música brasileira, teu nome Paulo César Pinheiro.
Pesadelo
Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha aí.
Pesadelo
Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha aí.
PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DOS AMORES
Você pede-me uns textos diz que sente falta deles, eu respondo que outras meninas levaram de mim. Busco a inspiração num gole e num trago me perco. Os versos não vem, o coração cansado de tanta saudade bate no descompasso de um samba-canção. Samba que me trás um alento, na madrugada vazia e silenciosa - paro debaixo de um poste iluminado, procuro na carteira o teu retrato, olho, enxergo, uma nostalgia invade o meu peito, a bebida faz o meu olhar se perder na escuridão do passado. Vejo naquele retrato 3x4 o seu olhar, o seu sorriso, sinto que faz tempo que não escuto a tua voz, que sinto seu perfume. Saudade ofusca o meu olhar, parece que tudo que eu vejo você esta presente. Nas linhas que leio, na canção que escuto, na cachaça do dia-a-dia você esta presente. O meu coração vulgar não permite me aproximar de você. Lembro de quando me disse para te esquecer, confesso que tudo que eu quero na vida é esquecer o que a vida insiste em lembrar. Não quero de jeito algum contrariar você, permaneço aqui no mesmo lugar, no mesmo local, não mudei nada, a barba continua grande, as sandálias continua nos meus pés, as dores no mesmo lugar. Procuro uma brecha para te esquecer, querendo lembrar que nos meus abraços outros abraços insistem em apagar os meus. Os beijos que hoje toca os seus lábios não são os meus, os dedos que tocam sua pele não são os meus. A distância aumenta, pergunto para nossos amigos incomuns por onde você anda, eles me dizem que você noivou, que em breve pretende se casar, que anda com os papos de mudar de cidade. Notícia que me trás um pouco de alegria queria de fato não te ver mais, queria guardar você assim, como foi ao meu lado, uma menina. Menina do olhar brilhante, menina que ficava ali sentada ao meu lado, lendo os meus versos, apagando frases, me dando rimas para a vida. Hoje quero te dizer uma coisa, foi bom, confesso que foi. Mais jamais encontrará outro que te amará do jeito que eu te amei, e nas entrelinhas da vida sentirá que aquele que deixou faz falta, e eu talvez aqui não estarei mais, com a disposição de lhe amar, do jeito que desejei no passado. Fico aqui com o meu silêncio sentado na madrugada em busca de alguma coisa que me traga alegria para continuar e força para não desanimar.
Há tempos que você me leva, me pega pelas mãos, me leva, ao caminho da luz, ao caminho da esperança. Tua melodia, tua harmonia, tua simplicidade, me leva. Caminhos tortuosos já não existem mais, pego-me a navegar nos oceanos dos olhos teus, oceanos nada pacíficos. A tristeza dá lugar alegria, pois quando ao teu lado estou é mais fácil ser feliz. Minha embriaguez costureira, porres de outrora já não são precisos, pois a tristeza já não existe. Bebo, claro que bebo, mas bebo apenas para ter argumento, e lhe fazer aquela poesia, que você tanto gosta. Então minha querida, vamos se embora pois a madrugada nos espera. Digamos axé um para o outro, e até quando for concedido vamos viver, vamos viver, pois a vida é curta, é a saúde é pouca. Vamos até o tamborim silenciar na quarta-feira. Vamos minha nega, vamos não demora, pois a vida é curta e não posso esperar.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Escrevi aqui ou melhor dizendo no blogue apagado, o meu recente amor pela rádio AM. Que não passo uma noite sem dormir, escutando a mesma rádio Nacional do Rio de Janeiro. Descobri programas de música fantásticos, assim defino. Músicas que não tocam em outras rádios. Ganhei recentemente um apelido querido e saudoso Herivelton Martins. Confesso que não sou um terço do malandro, e por falar no caboclo, que músico, que músico. Ontem lá pelas tantas da madrugada quando cheguei num porre tremendo, fui para beber apenas para ter argumento, mas bebi o rio Pinheiros. Minha cabeça rodava - meu quarto parecia, qualquer coisa, menos o meu quarto. Meu cachorro latiu quando me viu chegar, não sei qual era intenção dele, mas latiu. Mas voltando ao assunto da sobre a música, é que tenho uma mania que não é das melhores, que é beber nos butecos e chegar em casa ouvir músicas que gosto. Não sei se é pela qualidade das músicas que lá tocam, ou se procuro nelas minhas favoritas o consolo depois do porre. Mas ontem, quando liguei o rádio estava tocando Herivelton, uma puta saudade se fez presente. Saudade de você minha querida menina, que não sabe o tanto que penso em você, não sabe que nos meus porres você existe mesmo que na lembrança tardia e sofrida de outrora, vestida no seu vestido florido que tanto gosto, você existe. Pensei em te ligar, mas contive esse pensamento, por alguns minutos chorei, chorei com não havia chorado antes, e sem a vergonha de aqui dizer, chorei. A música entrava pelos meus ouvidos, silenciava, apenas as batidas do meu coração quase que se acabando, minha cabeça rodando, o quarto escuro. A cama o mesmo vazio, olhei para o lado não senti teu cheiro, tua carne, teus braços a me enlaçar. Apaguei o meu cigarro, meu velho e companheiro cigarro, a única luz presente, foi apagada. O amanhecer se aproximava, meu estado lamentável anunciava o prenuncio de uma manha vazia e oca. O sono perdi, fiquei olhando no meio da escuridão pra ver se te encontrava, ou pra ver, aonde me encontrava. Por vezes anunciei que não beberia mais, que deixaria de lado o meu lado boêmio, mas é vão. Não sei viver sem ter a ilusão mesmo que breve seja, que a solidão velha e companheira, desde o momento que partiste, que um dia tu voltaria, para quem sabe me curar de mais uma noite de boêmia.
domingo, 24 de janeiro de 2010
SEU CHICO, O BAR DO PASSADO.
É verdade que os tempos são outros, mas na lembrança a saudade permanece. E assim meio saudosista, quero aqui contar pra vocês meus caros e poucos leitores, um fato do cotidiano. É verdade como disse, que por um erro ao qual não pedirei desculpas, eu não ponho meus pés no buteco do baixo. Não cabe explicações aqui, mas por enquanto não ponho os pés por lá. Tive o prazer de com isso, conhecer os milhares de bares do meu bairro, um deles que quero contar é do seu Chico. Seu Chico, é um cabra matuto, daqueles que saiu do sertão atrás da chance na grande cidade. Saiu do seu sertão, nos anos setenta, trabalhou em grandes firmas, antes delas partirem para fora do estado de São Paulo. Chico conta que naquele tempo, era oportunidades de trabalho uma em cada esquina, largava de um e entrava n'outro. O último que durou cerca de 15 anos, que saiu porque a firma mudou para região de Campinas, não quis sair de Sampa. Devido a sua idade não quis mais trabalhar para patrão, resolveu abrir um buteco. O buteco que já tem mais de 10 anos de vida, que seu Chico se orgulha deste feito, de segunda a segunda, atrás daquele balcão seu Chico ainda conserva um tremendo sorriso no rosto. Conversando com seu Chico, dizendo para ele que sempre tive a curiosidade de entrar no bar dele, mas nunca fui capaz, ele soltou uma tremenda risada. Disse que aquilo ali era coisa de velho na beira da morte, não coisa de jovem. Disse para o malandro que ele estava tremendamente enganado, que eu gostava de bares assim cheio de coroas. Mas que não entrava, pois sabia que o meu pai, na época que morava em casa - freqüentava ali. Ele então curioso, perguntou o nome do meu véio, disse: Medina. Num silêncio que durou poucos segundos, procurou na memória, e soltou um sorriso típico dele:
- Porra, você é filho do velho Medina?
Espantado com o sorriso do camarada, fui logo explicando aonde ele morava e tal. O velho rindo ainda disse:
- O Medina é único, meu camarada.
Disse-me que o pai junto com o alemão, qual eu não conheço não saia de lá. Ele chegava do serviço, passava por lá, bebia uns tragos, contava umas estórias e depois partia rumo a família. Ainda comovido com tudo aquilo, pois sinceramente não acreditava que o seu Chico lembraria do meu velho. Pois o meu velho nunca me disse nada sobre aquele buteco, sobre o velho Chico. Mas voltando ao assunto principal, sempre tive um receio de ali entrar, mesmo a curiosidade imensa de sentar debaixo daquela árvore e passar uma tarde na presença de meus amigos. Pois é meus caros leitores, posso aqui dizer, que de lá não sairei, porque o velho é torcedor do Corinthians troço que me emociona bastante, também por conservar um puta sorriso no rosto tão fatigado de outrora, que não esconde o sofrimento e a batalha atrás do balcão. Depois contarei aqui o resto da história sobre o bar do Chico.
- Porra, você é filho do velho Medina?
Espantado com o sorriso do camarada, fui logo explicando aonde ele morava e tal. O velho rindo ainda disse:
- O Medina é único, meu camarada.
Disse-me que o pai junto com o alemão, qual eu não conheço não saia de lá. Ele chegava do serviço, passava por lá, bebia uns tragos, contava umas estórias e depois partia rumo a família. Ainda comovido com tudo aquilo, pois sinceramente não acreditava que o seu Chico lembraria do meu velho. Pois o meu velho nunca me disse nada sobre aquele buteco, sobre o velho Chico. Mas voltando ao assunto principal, sempre tive um receio de ali entrar, mesmo a curiosidade imensa de sentar debaixo daquela árvore e passar uma tarde na presença de meus amigos. Pois é meus caros leitores, posso aqui dizer, que de lá não sairei, porque o velho é torcedor do Corinthians troço que me emociona bastante, também por conservar um puta sorriso no rosto tão fatigado de outrora, que não esconde o sofrimento e a batalha atrás do balcão. Depois contarei aqui o resto da história sobre o bar do Chico.
Voltei, voltei
É verdade, não gostaria, mas fiz. Coloquei um ponto final no meu blogue anterior, devido a ressaca que tomou posse de mim. Mas voltando atrás pois nem sempre a vida permite, abri novamente. Esse blogue é feito aquela falsa promessa de que não beberei jamais, mas no outro dia esta lá copos em mãos, cigarro no cinzeiro, e a promessa feito juras esquecidas. Assim perdido entre o torresmo e a moela, dou o pontapé novamente neste humilde e errante espaço. Bola pra frente, vamos ver no que dá, peço desculpas aos meus poucos leitores pelo o erro de outrora, mas voltei.
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