quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Buteco como sempre digo é lugar de bater papo. Sem papo o buteco acaba. Hoje me enfiei numa tremenda confusão, num bate boca daqueles. Não aceite que meta o pau nos botecos. Boteco é lugar sagrado, claro que é profano, mas também é sagrado. Poderia colocar inúmeros adjetivos para defender os butecos, mas como falei buteco é papo. Enquanto existir eles estarei seguro que a vida ainda tem graça. Ainda se pode sonhar, se pode chorar. Por inúmeras vezes, conversei com pessoas encostado nos balcões de marmóre ao redor do país. Faço questão de sempre que viajo conhecer algum buteco na cidade na qual visito, porque se quer conhecer a cidade, antes tem que conhecer seu povo que ali habita e faz daquela cidade algo maravilhoso. Foi assim com Minas Gerais ( aonde conheço alguns), foi assim no Mato Grosso, foi assim na Bahia, foi assim no Paraná, foi assim em Santa Catarina, foi assim em Mato Grosso do Sul, e aonde quer que eu vá, não mudarei. Mas voltando pra minha terra, a minha raíz, é aqui em São Paulo que falarei. Por inúmeras vezes - chegando no buteco, pude perceber algo misterioso pelejando no ar, por vezes já presenciei cenas que não presenciarei em outros lugares, já escutei dores alheias, já briguei, já pendurei conta. Pois buteco não é preciso estar na moda e nem tão menos em forma. Boteco é lugar para freqüentar com chinelos nos pés, entrar sem camiseta, de boné, de touca, seja lá do jeito que for, você sempre poderá entrar. Pois no buteco não tem frescura, pois o que ali importa é papear, é rir das desgraças da vida, é chorar no balcão querendo esquecer a paixão, é lugar de torcer pelo o time de futebol amado, é lugar de se apostar no jogo do bicho, é lugar da simplicidade. Como disse que boteco é papo, é papo. E nada melhor que encontrar um papo que vale a pena, que transmita algum tipo de sentimento. É torcer sem querer torcer. É conversar com as pessoas mais velhas, escutar tuas dores e estórias, é pedir um conselho. Este espaço que aqui criei e tantas vezes já mandei para o espaço, foi criado para isso, contar algumas estórias que não saem do meu imaginário. É colocar é dizer, é contar causos de pessoas simples, que jamais serão conhecidas. É falar da importância que um bar tem na rua aonde reside e nas vidas das pessoas. Por isso não admito que algumas pessoas tomada pelas falsas religiões vem ao meu ouvido dizer que buteco é o destruidor de lares. Por inúmeras vezes, já vi bêbado dizendo dentro de um bar o quanto ama a família, o quanto lamenta a saudade de sua terra natal, de seus familiares. Já misturei a minha estória com alguns retirantes e pude perceber e aprender o que realmente se vale na vida, aula de sociologia no boteco. Aula de turismo. Poderia ficar aqui até amanha defendendo o bar, mas acredito que não seja preciso, pois ele fala por si só.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

É verdade que me calo, quando não poderia. É verdade também que quase tudo lhe disse nas nossas conversas na madrugada. É verdade que a distância silenciou nossa paixão. É verdade que poderia ter sido melhor na tua companhia e não fui. É verdade também que você pediu-me para me cuidar mais, parar de beber, cuidar do meu pulmão, da minha alma inquieta. É verdade que foram muitas às vezes - que tive vontade de lhe falar o quanto te amava e ainda amo, mas será que depois de tanto tempo você daria ouvidos as minhas palavras? Será que acreditaria que nas minhas madrugadas você é a rainha? Que não consigo esconder mesmo que bebendo meu velho conhaque, me embriagando, meu olhar perdido, à procura de você. É verdade que poderia ter lhe enviado as milhares de cartas que escrevi, que foram parar no lixo, por falta de coragem de remete-las à você. É verdade que hoje rompo com o silêncio, pois o meu peito já não aguenta tanto, pois sei que a morte esta perto, que antes que seja tarde, lhe escrevo aqui, esperando que você ainda perca tempo lendo tudo isso, que te amo. Apenas isso! até.

PENA BRANCA

Meu lado cabloco não pode deixar de lado este ídolo da música brasileira raiz. Conheci a obra de Pena Branca através de um grande amigo meu - que tocava suas músicas na viola, enquanto eu mandava pra dentro algumas doses de "branquinha" , para aliviar o peito. Não há duvidas que sua morte deixará na música brasileira um vazio enorme, pois os tempos são outros, já não existem pessoas com a intenção de fazer grandes músicas, com um lirismo incrível e sim ganhar um mundo de dinheiro fazendo porcaria. Compartilho com tua dor meu caro amigo, ele se foi, mais ficou tua arte, tua música que nos levará a crer que o Brasil tem salvação ainda - amanha sentaremos juntos eu, você, a viola, o litro. Cantaremos músicas raízes, e deixaremos no peito a dor da saudade invadir nossa voz. Vai na fé Pena Branca.

ps: abro à primeira do dia, meus olhos marejados se perdem no horizonte enquanto a minha paz vem ouvido cio da terra.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

É domingo, dia de repouso. Lamento tua ausência, abro a primeira do dia. Acendo meu cigarro, na tua falta me vem o samba para me acompanhar.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

É verdade que este meu coração suburbano de vez enquando vacila. É verdade que na verdade eu quero que se phoda o mundo, pois a minha sede é grande e quero apenas beber. É verdade que o meu lar é o butequim, é verdade que gostaria de cantar ao pé do teu ouvido o samba do Martinho da Vila: vem logo, vem curar teu nego que chegou de porre lá da boêmia. É verdade que bebi os mares, esqueci os lares - me perdi nas esquinas, sentei no banco da praça ouvindo a solidão noturna. É verdade que não lhe esqueço talvez eu te ame, mas me falta coragem para assumir tudo isso, você sabe que foram às vezes que lh disse o quanto te amo. Quero aqui simplesmente lhe dizer: te amo, porra! não me deixe assim perdido nos caminhos que exalam teu perfume, pois o meu conhaque é pouco para tanta agonia, vem logo vem curar teu nego que chegou de porre la da boêmia.
Recordando tempos atrás, me vi naquele menino ali sentado naquela esquina, vendendo picolés. O que posso dizer é que sempre fui um batalhador, desde de sempre corri atrás um lugar ao sol. Vendia picolé quando era menino, para comprar as minhas coisas de menino - não me interessava se os meninos da rua zombavam quando me via com a caixinha de isopor pendurada no braço o que interessava era o dinheirinho que ganhava no fim do dia. Hoje aquele menino me olhou de um jeito estranho, vi nos olhos deles o meu passado. Aproximei dele, ele soltou um sorriso. Perguntei para ele o porque ele vendia picolé, ele com olhos tristes, disse que era para ajudar no sustento de sua família. Comprei alguns picolés, chamei-o para ir comigo comer um lanche. Vi o sorriso alegre dele, esperando o x-salada na padaria, tomando coca-cola. A melhor companhia que tive na semana. Meus olhos marejados vendo aquele menino ali ao meu lado - anos se passaram, a batalha que tive e terei pela frente. Ficamos ali, ele saboreando o lanche dele e eu perdido na imensidão de lembranças que brotava a todo instante. Depois nos despedimos ele ainda gritou:

- Tio você é o cara, valeu pelo lanche, nos encontramos novamente um dia.

Confesso que voltei para a minha casa emocionado, com a sacolinha do extra com dez picolés, acreditando que de certa forma mesmo achando errado ele ali vendendo sorventes enquanto poderia estar estudando, acreditando que pelo o menos ele terá o pão na mesa, ele terá o sorriso no rosto ao chegar em casa dizendo que vendeu um carrinho de sorvetes. Valeu meu caro amigo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Talvez lá no fundo de mim existe um malandro, existe um Noel Rosa, existe um Cartola, existe um triste poeta a lamentar tua ausência, a beber os mares, a esquecer os lares, a murmurar os amores perdidos, talvez antes que o porre se esvai, canto-ti nos meus versos, gritos aos mares, boto meus saveiros no mar a lembrar de você, porra!