Às vezes o que se tem para fazer é beber - esquecer os desatinos, esconder o pranto, na velha face sofrida de outrora. É o que fiz. Há tempos não entrava naquele buteco, pra ser sincero é o melhor boteco do mundo. Tive é verdade alguns problemas com ele depois de anos ali, semanalmente ou diariamente falando. Hoje não foi diferente. Queria beber num lugar calmo, aqueles que é possível bater um papo, esquecer as dores e amores mundanos. Ali é o melhor lugar. Deixei é fato de lado as amarguras, dei um pulo lá. Antes é fato de chegar na espelunca, dei de cara com alguns meninos jogando bola na rua, reclamando da bola mal passada, do gol perdido. Vizinhas batendo papo nas calçadas. alguns bebuns tomando suas cervejas sentado na calçada olhando o jogo na rua. Confesso que me emocionei, meus olhos marejados, deu glória por morar na periféria, por ter essas coisas. Mas esse assunto é pauta para outro texto. É fato que necessitava de um porre, que necessitava sentar ali, naquele canto, esquecer-te por um minuto, esquecer os lábios que ainda não beijei, que lamento a distância. Dei uma pausa nos meus sentimentos e pensamentos, por um momento não queria lembrar de ti. Mas não foi possível. Confesso que o meu coração bate acelerado quando lembro de você, lá na boêmia, você não me viu - nem tão menos imaginou, mas bebo pelas beradas a lembrar de você, a lembrar da tua fala. Sei que nessas bandas que você vive, não se lembra de mim e quem se lembra? Ninguém. Mas o meu lamento vem em forma de samba, vem em versos. Então quero que se foda o resto, quero que se dane tudo, quero aqui neste momento curtir a fossa, o samba, o porre, e a tua saudade.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Sem poupar o meu coração já castigado de sofrer dores, enfrento mais uma. Quero amar demais, satisfazendo além da razão. Você me disse e jamais esquecerei, mesmo sem você me conhecer de carne e osso foi super feliz na sua declaração. Tu me disse naquela manha de domingo - que o meu destino era sofrer pelas mulheres, e assim sou. Cada mulher que passa na minha vida, meu coração sofre um bocado. Parece que a sina dele é padecer pelos encantos das mulheres, quando elas partem sem dizer um adeus, leva um pedaço dele. Nessa madrugada que se aproxima, desfaleço, sofro aqui calado pois a minha dor ninguém pode imaginar, e tão menos aliviar. Sonhei confesso que sonhei, imaginando os mais belos campos, desejei que nesse começo de ano, tudo mudasse, tudo melhorasse. Talvez por estar tão sem sentido, por não pular ondas, por não passar de branco, os deuses não cooperaram comigo neste início de ano. Talvez pelo o fato de não esta bebendo também tenha rompido a veia que alimenta este pobre coração cansado de sofrer. Busquei o retiro, busquei a imensidão, mas meu barco naufragou na espera do cais. E assim minha vida segue, sem me dizer até quando essa saudade que sinto de você, vai passar, vai diminuir. Sonharemos os sonhos de outrora aonde não foi possível realiza-los. Essas palavras errantes, que você já deve estar cansada de ler, e eu cansado de escrevê-las, possa tomar um novo rumo, um novo sentindo.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Minha face fastigada de outrora, minha barba sempre por fazer, meus olhos perdidos na escuridão da vida - revela que as coisas não andam bem. Você diz para me cuidar, acredito que me cuido ao meu jeito, mas me cuido. Tua face revela o tanto que você tem sofrido ultimamente. Guarda ai dentro de ti um resquício de paixão dentro do peito. Que fere, arde, na solidão noturna. Há tempos que no meu rosto prevalece a solidão, a despedida não foi das melhores, pois acredito que você levou muita coisas de mim - não é que quero elas novamente, mas quero o meu jeito antigo de olhar o mundo, de acreditar nas pessoas, meu olhar alegre, meu olhar de menino que você roubou de mim, me deixando assim perdido na escuridão das noites, à procura de alento, à procura de paz. Sei que você segue seu caminho indiferente, mas sem você a saudade dói demais. Como disse lá em cima minha face castigada, meu olhar sempre embriagado, essa inqüietude depois da nossa despedida. Procuro-te, como procuro, nas melodias dos meus sambas, sei que você deve ler essas linhas, sei também que no silêncio da madrugada você não me esquece - quando teus lábios silenciosos rompem a solidão a cantarolar os sambas que lhe cantei algum dia. Posso estar enganado, mas acredito que não. Sofro com tudo isso, você talvez não possa imaginar, ou até mesmo pense, que tudo isso é um devaneio. Que tudo aquilo que fui para você foi apenas um excesso de luz - que hoje deu lugar a escuridão noturna. Talvez nunca fugirei de você, pois não tenho medo de lhe dizer o que aqui dentro ainda pulsa, talvez me falte apenas o momento de você querer me ouvir, uma única oportunidade lhe peço. Talvez você ache melhor deixar as coisas como estão, talvez você não me perdoe nunca por aquele erro cometido naquela manha ingrata. Talvez nunca seja tarde, para acabarmos definitivamente com tudo isso, romper esse silêncio, deixar-me entrar na tua vida novamente, deixar-me colocar lá dentro de você um prato de flores.
É verdade que ela não é carioca, tão menos moradora de Ipanema, mas a garota quando ela passa meu mundo se enche de graça. Todo dia ela passa, com seus cabelos ao vento, cheirando a shampoo, cheirando a creme. O teu rebolado, tua blusinha colada, sua sintura fina, a encher de graça por onde ela passe. Meu olhar acompanha até aonde ele pode chegar, acredito que ela não saiba quem eu sou, e tão menos, que espero ela passar todos os dias. Deve saber que tem muitos admiradores, que admira tua graça, teu rebolado, teu gingado. Mas a verdade que ela é minha alegria na manha, que é por ela, que ainda vivo, por ela amo as mulheres no seu mais completo sentido. Talvez quando ela passar amanha, lhe direi: morena não me deixe de queixo caído todas às vezes que você passe.
DIA DOIS DE FEVEREIRO, DIA DE IEMANJÁ
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Acendo um cigarro enquanto caminho pelas ruas, um passeio noturno, sem a badalação do dia. Pensando um pouco na vida, na saudade que você me remete ao longe. O meu riscado de outrora já não é o mesmo. O meu silêncio se rompe quando escuto um verso de samba - cantarolo, vou caminhando. A escuridão me persegue pelas esquinas, que tanto me conhece, o vazio é o mesmo. A vida noturna, os porres, a saudade, pensamentos que não me deixam. Tudo se confunde a medida que a distância aumenta. O tempo o velho tempo, não é capaz de apagar você da minha lembrança, nem da minha melodia. A batida na porta da frente, o silêncio do teu ser, tua distância errante, nós que sempre fomos unidos outrora. Minha voz rouca quebrando o tédio de tua vida, o meu despertar querendo lhe ver, teus passos ao meu lado, tua alma ali próxima a mim. Vontade de lhe agarrar, lhe arrancar tua roupa ali no meio da rua, no meio da multidão ao meio dia. De querer lhe dizer as coisas mais bonitas que já mais disse para alguém. Mas a distância me impede, a distância física de você. Imagino por onde andarás, que rumo tomou, depois daquela noite e de minha fala para ser esquecida. A solidão que me acompanhou na bagagem, o silêncio da tua alma. Os passos se perdem, querendo o silêncio, caminho reparando nas estrelas, digo para mim que não me embriagarei pelo o menos hoje. Sorrio, digo que só dói quando rio, que já estive melhor comigo e com você. No meu bolso uma carta uma estúpida carta, que não lhe enviei por medo ou vergonha. O silêncio se rompe, aproximo do butequim, meu velho e querido butequim, aonde a saudade dói mas é menos dolorida. Peço a primeira do dia, rompo com o meu pensar, digo que não dá para ficar sem beber, enquanto a saudade de você apertar o meu peito. Tudo parece mudado, à lamentar, me vejo na face de um velho bebum, que insiste em me oferecer uma cachaça - rindo, parece zombar de mim, parece querer dizer algo no meio de sua loucura diária. Me afasto não quero papo, apenas quero o silêncio da minha alma, minha velha solidão como companheira, a me acompanhar nas noites noturnas. Meu olhar começa a se perder naquilo tudo, a bebida rompe o peito, meus olhos marejados remetem ao passado tudo aquilo que um dia sonhei, tudo aquilo que lhe quis. Volto para bebida, volto o meu olhar no presente, dou risada, digo a mim mesmo o quanto tolo sou, por acreditar em certas tolices, meu coração de menino de vez enquando vacila. Se perde, mas encontra o rumo, o rumo da despedida, o rumo da vida, mesmo errando as ruas, encontra as esquinas, a lamentar ausência de você menina.
As toalhas na mesa, as velas prontas para serem acessas. O desamor no peito, a escuridão que rompe meu ser, que esconde os abismos mundanos das paixões de outrora. O jantar esta na mesa, é o que escuto a relembrar de outrora, mas o amor o nosso amor passou. Passou feito raio, passou feito o tempo batendo na tua janela de madrugada a gritar meu nome, você fingindo não perceber. Pela última vez, eu imploro talvez, pela última vez separei nossa bebida, a roupa florida, tua toalha. Minha imaginação se perde pelos labirintos, meu olhar triste se perde nas pegadas que já não existem, quando você saia do banho enrolada na velha toalha florida. Tudo confuso, tudo embolado, o presente com o passado, a julgar que você não passou de um devaneio, uma paixão de verão. Lhe acompanhei até aonde foi possível, fiz o que pude, mas lhe perdi. O que me resta é essa escrita em forma de lamento embaralhada nos confins de minha imaginação. É esse lamentar, é esse não querer longe de você.
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